sexta-feira, dezembro 31, 2010

2011

Bom Ano Novo 2011 para todos vocês.

terça-feira, dezembro 14, 2010

Solid Potato Salad


Este é um video de 1944, que foi recuperado, digitalizado e colorido. Elas são as "Irmãs Ross". As irmãs de borracha, deveria acrescentar. A canção dura um minuto, mas vejam o que elas fazem a seguir...
Apreciem.

segunda-feira, dezembro 13, 2010

Coltrane Forever


Album: Olé Coltrane (1961) - John Coltrane
Personnel:
John Coltrane - soprano sax
Eric Dolphy - flute
Freddie Hubbard - trumpet
McCoy Tyner - piano
Reggie Workman - bass
Art Davis - bass
Elvin Jones - drums

Mude


A 25 de Setembro de 2010, publiquei neste espaço um texto que julgava pertencer à escritora brasileira Clarice Lispector. Afinal, não era dela. Esse texto é da autoria do escritor - também brasileiro - Edson Marques, que na altura própria deixou escrito o seu protesto na minha caixa de comentários. Honestamente, só hoje é que li. Ainda por cima este assunto já deu origem a processos judiciais e mais não sei quê e Edson ganhou-os todos... por isso, deixa-me cá desfazer o engano publicamente antes que tenha que ir ao Brasil responder em tribunal. Olha, vendo vem... até que não me importava nada... pelo menos deve estar quentinho por lá. E já tenho saudades de ir à praia...
E para informações mais detalhadas sobre este delicado assunto queiram, já agora, consultar o blog do escritor Edson Marques que é o http://mude.blogspot.com/ Desculpe lá, ó Edson. Apareça sempre. Abraço.

quinta-feira, dezembro 09, 2010

Natal Digital

Mudam-se os tempos...

sexta-feira, outubro 22, 2010

Dame Paula Rego

A pintora portuguesa Paula Rego foi ontem ordenada Dama Oficial da Ordem do Império Britânico pela rainha Isabel II, distinção que a artista considerou um "grande reconhecimento".
Após a cerimónia, que decorreu ontem no Palácio de Buckingham, a artista qualificou a investidura como uma "experiência maravilhosa".
"É um grande reconhecimento, mas penso ser também bom conseguir vender os próprios trabalhos. Demorou muitos anos até o conseguir fazer" -
disse, citada pela agência Press Association.
Ao receber o segundo maior grau desta Ordem, criada em 1917, Paula Rego passa a ter o título de Dama - o equivalente ao Sir usado pelos homens - que pode usar antes do nome.
É a quarta pintora a receber esta honra, depois das distinções atribuídas a Laura Knight, Ethel Walker e Elizabeth Blackadder.
A distinção tinha sido anunciada a 12 de Junho, a propósito do aniversário da rainha, que todos os anos homenageia pessoas que se tenham distinguido nas respetivas áreas, nomeadamente nas artes.
Embora tenha nascido em Lisboa, em 1935, Paula Rego é considerada uma das melhores pintoras vivas no Reino Unido.
Paula Rego chegou a Londres para estudar em 1952 na Slade School of Art, onde conheceu o marido, o pintor britânico Victor Willing.
Depois de um período em Portugal, Paula Rego acabou por se instalar na capital britânica em 1976, onde mantém residência e continua a trabalhar.
Hoje, confessou que encontra motivação na "curiosidade" e no desejo de "tentar fazer algo diferente".
"Tento sempre fazer melhor, tento sempre fazer melhores desenhos e quadros. O que eu gosto de fazer é desenhar muito" -
disse.
Cerimónia tradicional
Paula Rego foi agraciada ao mesmo tempo que dezenas de outras personalidades das artes, da moda e da ciência, numa cerimónia com rituais antigos.
Para os graus mais altos, os condecorados têm de se ajoelhar perante a rainha e são ordenados com o toque da espada nos ombros antes de receberem a insígnia.
Entre os homenageados estavam Brian Cox, físico que foi músico na juventude mas que hoje é conhecido como um dos melhores comunicadores científicos, e Charles Blanchflower, economista que fez parte do Banco de Inglaterra e que avisou para o perigo de uma crise financeira.
A atriz Vicki Michelle, que se celebrizou devido ao papel de Yvette na série "'Allo 'Allo!", foi condecorada pelo trabalho em causas de solidariedade.

Fonte: Expresso Online

terça-feira, outubro 12, 2010

Facebook - 2

- Olá, sou o John.
- Olá, sou o Jim.
- De onde és?
- Do Facebook. E tu?

Facebook

segunda-feira, outubro 11, 2010

sábado, outubro 09, 2010

Birthday Party

Se fosse vivo, John Lennon continuaria a ser, aos 70 anos, um activista pela paz, afirmou a viúva do cantor, Yoko Ono a um dia de se comemorar a data do seu nascimento.
John Lennon, um dos mais criativos músicos do pop rock, nasceu a 9 de Outubro de 1940 e foi assassinado a 8 de Dezembro de 1980, em Nova Iorque.
Para assinalar o aniversário do nascimento estão previstas várias iniciativas que recordam o património musical de John Lennon a solo e com os Beatles.
Yoko Ono afirmou que, se fosse vivo, Lennon estaria hoje muito mais descontraído com a idade e com o facto de celebrar 70 anos do que quando festejou 40. Continuaria a ser um activista pelos direitos humanos e pela paz porque, defendeu, «é preciso fazer alguma coisa para mudar o rumo do mundo».
Esta semana foram editados os álbuns a solo do músico britânico numa versão remasterizada. A viúva do cantor afirmou esperar «que esta reedição faça chegar a sua música incrível a novos públicos e que quem já está familiarizado com o seu trabalho encontre uma renovada inspiração».
«As suas letras são tão pertinentes hoje como no tempo em que foram escritas»,
adiantou Ono, sublinhando o título que foi dado a esta reedição, Gimme some truth (Dêem-me alguma verdade - em tradução livre).
Com o objectivo de recordar John Lennon, o YouTube divulgará no sábado mensagens de várias figuras, como o ex-baterista dos Beatles, Ringo Starr, e o actor Jeff Bridges.
Também o Google assinalou hoje a data com um vídeo na sua página de pesquisa e com a mudança do seu logótipo.

Fonte: Jornal Sol online

segunda-feira, setembro 27, 2010

Snapshots - 4

Os sonhos antigos foram bons; não resultaram, mas ainda bem que os tive. -
Robert Kinkaid, personagem de Clint Eastwood, in As Pontes de Madison County.

sábado, setembro 25, 2010

Perto do Coração Selvagem

Sente-se em outra cadeira, no outro lado da mesa. Mais tarde, mude de mesa. Quando sair, procure andar pelo outro lado da rua. Depois, mude de caminho, ande por outras ruas, calmamente, observando com atenção os lugares por onde você passa. Tome outros ônibus. Mude por uns tempos o estilo das roupas. Dê os seus sapatos velhos. Procure andar descalço alguns dias. Tire uma tarde inteira para passear livremente na praia, ou no parque, e ouvir o canto dos passarinhos. Veja o mundo de outras perspectivas. Abra e feche as gavetas e portas com a mão esquerda. Durma no outro lado da cama... Depois, procure dormir em outras camas. Assista a outros programas de tv, compre outros jornais... leia outros livros.Viva outros romances. Não faça do hábito um estilo de vida. Ame a novidade. Durma mais tarde. Durma mais cedo. Aprenda uma palavra nova por dia numa outra língua. Corrija a postura. Coma um pouco menos, escolha comidas diferentes, novos temperos, novas cores, novas delícias. Tente o novo todo dia. O novo lado, o novo método, o novo sabor, o novo jeito, o novo prazer, o novo amor. A nova vida. Tente. Busque novos amigos. Tente novos amores. Faça novas relações. Almoce em outros locais, vá a outros restaurantes, tome outro tipo de bebida, compre pão em outra padaria. Almoce mais cedo, jante mais tarde ou vice-versa. Escolha outro mercado... outra marca de sabonete, outro creme dental... Tome banho em novos horários. Use canetas de outras cores. Vá passear em outros lugares. Ame muito, cada vez mais, de modos diferentes. Troque de bolsa, de carteira, de malas, troque de carro, compre novos óculos, escreva outras poesias. Jogue os velhos relógios, quebre delicadamente esses horrorosos despertadores. Abra conta em outro banco. Vá a outros cinemas, outros cabeleireiros, outros teatros, visite novos museus. Mude. Lembre-se de que a Vida é uma só. E pense seriamente em arrumar um outro emprego, uma nova ocupação, um trabalho mais light, mais prazeroso, mais digno, mais humano. Se você não encontrar razões para ser livre, invente-as. Seja criativo. E aproveite para fazer uma viagem despretensiosa, longa, se possível sem destino. Experimente coisas novas. Troque novamente. Mude, de novo. Experimente outra vez. Você certamente conhecerá coisas melhores e coisas piores do que as já conhecidas, mas não é isso o que importa. O mais importante é a mudança, o movimento, o dinamismo, a energia. Só o que está morto não muda ! Repito por pura alegria de viver: a salvação é pelo risco, sem o qual a vida não vale a pena!

Clarice Lispector (1920-1977)

quinta-feira, setembro 16, 2010

Party Time

Há quem faça anos hoje...


Party Time
Dan Kimble

Estou aqui construindo o novo dia com uma expressão tão branda e descuidada que dir-se-ia não estar fazendo nada. E, contudo, estou aqui construindo o novo dia! - António Gedeão

segunda-feira, agosto 30, 2010

Slow Train Coming

Entre 4 de Setembro e 30 de Janeiro de 2011, o Museu Nacional de Arte da Dinamarca, em Copenhaga, mostra um novo capítulo da carreira do Dylan pintor.
Train Tracks (2009)

Bob Dylan pinta e desenha frequentemente desde os anos 60 - a capa de "Self Portrait", de 1970, é da sua autoria - mas só nos últimos três anos tem mostrado este lado da sua vida artística em exposições. Entre 4 de Setembro e 30 de Janeiro de 2011, o Museu Nacional de Arte da Dinamarca, em Copenhaga, mostra um novo capítulo da carreira do Dylan pintor. Depois de aguarelas e desenhos de pequena dimensão, o americano voltou-se para os acrílicos e para obras de grande escala. "The Brazil Series", a primeira exposição de pinturas de grandes dimensões de Dylan, inclui 40 pinturas e oito desenhos criados nos últimos dois anos.
As obras mostram "retratos da vida diária nas cidades e no campo", avistados por Dylan em viagens pelo Brasil, informa uma sinopse da exposição:
"Vinicultores, ciganos, políticos, apostadores e 'gangsters'.
Uma grande colecção de motivos e assuntos que acentua o fascínio do artista pela diversidade do Brasil. As obras surgem quase como registos antropológicos, despidas de quaisquer sentimentos românticos, preconceitos ou comentários sociais. O motivo em si mesmo, o seu potencial de composição, e a narrativa que lhe está implícita parecem ser as coisas que mais interessam ao artista".

Dylan fez esboços nos locais, em guardanapos ou sacos de papel, que funcionaram como pontos de partida para o trabalho no ateliê, onde adensou a linha narrativa por trás de cada imagem, seguindo a tradição figurativa do século XX, na linha de pintores como George Bellows e Thomas Hart Benton, refere o mesmo texto. É uma obra que não complementa ou dá novos sentidos às canções de Dylan, antes funciona como um universo específico. "Se pudesse expressar o mesmo numa canção, teria escrito uma canção", disse Dylan durante a preparação da mostra.

Coincidindo com a abertura da exposição, será editado o livro "Bob Dylan. The Brazil Series", a primeira análise com profundidade crítica e histórica da obra visual do músico.

Fonte:
Ípsilon, 13/Agosto/2010

The Blue Note

(...) Para mim há algo de primitivo e tranquilizador nesta música (blues), e entrou-me directamente no sistema nervoso, fazendo-me sentir um gigante de três metros. Era a mesma sensação que eu tinha tido quando ouvi a primeira música de Sonny Terry e Brownie McGhee no programa do Tio Mac, e o mesmo aconteceu quando ouvi Big Bill Broonzy pela primeira vez.
Vi uma actuação dele na televisão, a tocar num clube nocturno, iluminado por uma única lâmpada a projectar uma sombra vacilante a partir do tecto, criando um efeito de luz fantasmagórico. O tema que ele estava a tocar chamava-se "Hey Hey" e deixou-me de boca aberta. Era uma peça de guitarra complicada, cheia de blue notes, que resultam da divisão de uma nota maior com uma nota menor. Começa-se normalmente pela nota menor e dobra-se a corda para cima em direcção à maior, por isso fica algures entre as duas. A música egípcia e indiana também utiliza este tipo de alongamento de notas. Quando ouvi Big Bill pela primeira vez e, mais tarde, Robert Johnson, convenci-me que todo o rock'n'roll - bem como a música pop, já agora - tinha nascido dessa raiz. (...)

Eric Clapton
- Autobiografia
Casa das Letras, Maio 2008.

Here, There and Everywhere

Vaso sanitário de John Lennon leiloado por 12 mil euros.
Peça de porcelana atingiu dez vezes o valor que era esperado. Objeto fez parte de um leilão ligado aos Beatles, em Liverpool.

Um vaso sanitário que pertenceu a John Lennon foi arrematado neste sábado por 9.500 libras (11.600 euros), cerca de dez vezes o valor estimado inicialmente, durante um leilão de objetos ligados aos Beatles em Liverpool, anunciaram os organizadores.
O vaso em porcelana branca, decorado com frisos e motivos florais azuis, foi usado pelo músico quando vivia em sua casa de Tittenhurst Park no condado de Berkshire (sudeste da Inglaterra), entre 1969 e 1972.
A peça, avaliada em 1.000 libras no máximo no catálogo, foi adquirida por um colecionador estrangeiro durante a 33ª convenção dos Beatles de Liverpool.
O vaso tinha sido dado por John Lennon a John Hancock, um pedreiro que fez alguns trabalhos para ele. O músico lhe havia proposto guardá-lo e usá-lo como um jarro de flores, após a instalação de um novo banheiro.
A peça foi conservada durante 40 anos, até a morte do pedreiro. A decisão de vendê-la foi tomada pelo filho.

Fonte: Agência France Press via jornal "O Globo".

Segundo a amiga Pureza Silva, que me "ofereceu" este presente via Facebook é "uma preciosidade... testemunha o(cu)lar das partes mais íntimas do idolatrado Sir JohnLennon - é emocionante"...

sexta-feira, agosto 20, 2010

The Eye Of Jazz

Herman Leonard, o norte-americano conhecido como o fotógrafo do jazz, morreu no sábado, em Los Angeles, aos 87 anos. Fotografou Ellington, Gillespie, Davis ou Fitzgerald e o seu lema era: “Above all, enjoy the music”. Leonard começou a sua carreira nos anos 1940 por ser amante da música jazz - como não tinha dinheiro para entrar nos clubes de Nova Iorque (como os Royal Roost, Birdland ou Bop City) foi através da fotografia que conseguiu assistir a concertos. Viveu em Nova Iorque, depois em Paris, e fotografou todos os nomes importantes do jazz. Captou para a posteridade Dexter Gordon, Charlie Parker, Dizzy Gillespie, Billie Holiday, Duke Ellington, Miles Davis, entre outros. Durante algum tempo foi o fotógrafo pessoal de Marlon Brando, e também fotografou para a revista “Playboy” norte-americana. Uma das fotografias mais famosas do autor e um dos melhores retratos de Herman Leonard mostra a cantora Ella Fitzgerald a cantar em Paris em 1960, com os olhos fechados e em absoluta concentração, com uma gota de suor a descer-lhe pelo pescoço. Em 2005, o fotógrafo perdeu grande parte dos seus bens por causa do furacão Katrina que atingiu a sua casa em Nova Orleães e destruiu mais de 8 mil fotografias. Mas os negativos foram salvos, pois estavam depositados no Ogden Museum of Southern Art. O fotógrafo trabalhava agora com o músico Lenny Kravitz. Leonard (6/Março 1923 – 14/Agosto 2010) é autor do livro “The Eye of Jazz” (editora Viking) e de “Jazz” que será publicado em Novembro pela Bloomsbury nos Estados Unidos.
Fonte: Público.

Este post foi integralmente copiado, com a devida autorização do dono, do excelente Disto e Daquilo, aqui mesmo ao lado.

quarta-feira, agosto 18, 2010

Blog About


Come, Tell Me How You Live

Agatha Christie escreveu quase cem livros, mas só um assinado Agatha Christie Mallowan: Come, Tell Me How You Live, título da edição original deste livro. É "uma memória arqueológica” dos anos 30 nas escavações do marido, Max Mallowan."
Os editores não gostaram. Não havia trama nem crime. Era como mostrar o álbum de férias a estranhos. O que é que os leitores dela tinham a ver com aquilo?
Quase tão lida quanto a Bíblia, Mrs Mallowan não puxou dos galões. Disse que o livro era “uma frivolidade”, como se falasse de um par de sapatos.
Foi um sucesso, claro, e mais de sessenta anos depois continua em edição de bolso e politicamente incorrecto – vários turcos e pelo menos um árabe “sub-humano” saem daqui para a glória. Mas de ninguém a autora ri como de si própria, ansiosa, voluntariosa e volumosa.

Sobre Na Síria, Agatha Christie escreveu: «Esta crónica inconsequente foi iniciada antes da guerra. Depois foi posta de lado. Mas agora, após quatro anos de guerra, dei por mim a pensar cada vez mais naqueles dias passados na Síria, e por fim senti-me impelida a tirar os meus apontamentos e os meus toscos diários para fora e a completar aquilo que começara e pusera de lado. Pois parece-me que é bom recordar que esses dias e esses lugares existiram, e que neste preciso instante a minha pequena colina de calêndulas está em flor, e que os velhos de barbas brancas que se arrastam atrás dos burros talvez nem saibam que existe uma guerra.»

Foi no deserto sírio, no intervalo dos cacos - hoje expostos no Museu Britânico, mas também no Museu de Alepo - que Agatha Christie escreveu muitos dos seus crimes. Na Síria é a memória de como foi inteiramente feliz ali. Os árabes gostavam quando ela chegava. Tudo a fazia rir.

Na Síria - Agatha Christie Mallowan
Prefácio de Alexandra Lucas Coelho
Tinta da China, 2010

terça-feira, agosto 17, 2010

Um Pastel Em Belém

A exposição "Warhol TV", que inaugurou a 26 de Julho no Museu Berardo, mostra um outro lado de Warhol. Sem latas de sopa de tomate nem Marilyn colorida. Só ecrãs de televisão."Diga aos seus leitores que esta é uma exposição cool. Tem de ser vista com calma e tempo. É para se sentarem no sofá e verem tudo com atenção." Judith Benhamou, comissária da exposição, deixa o aviso e nós corroboramos: não vale a pena ir com pressa. "Warhol TV", mostra um lado de Andy Warhol que poucos conhecem. É que entre as décadas de 70 e 80, o artista plástico mais famoso dos EUA dedicou-se à criação e realização de programas de televisão.

Beleza, vaidade, sexo, talentos, processos de criação, eventos sociais, transformação. Cada sala tem um tema, ecrãs e sofás. Ao fundo, uma imagem em loop de Warhol a correr na direcção dos visitantes. Para montar esta exposição, Judith Benhamou mergulhou de cabeça nos arquivos do Museu Andy Warhol, em Pittsburgh, e nas memórias dos (poucos) colaboradores sobreviventes do artista. Nas suas investigações descobriu verdadeiras pérolas, como um anúncio da Coca-Cola light: "Andy Warhol fazia tudo, não tinha preconceitos. Ele estava apostado em construir um império económico e conseguiu." O resultado é um anúncio piroso, com Warhol inexpressivo, no meio de gente feliz, a beber Coca-Cola.

Numa outra sala, fechada em cortinas de veludo vermelho escuro, outra preciosidade: um episódio da série "Barco do Amor" onde Andy Warhol aparece como convidado. "Ele é péssimo a representar! Falei com o produtor da série e ele disse que trabalhar com ele foi um verdadeiro pesadelo, nunca sabia os textos, nem o que fazer", conta Benhamou.

Na exposição pode ver-se também excertos do último "Andy Warhol's 15 Minutes", o programa da MTV criado e apresentado por si, com um último episódio inteiramente dedicado a Warhol, aquando da sua morte, com imagens do seu funeral. No entanto, esta não será a última imagem que irá ver: "Não queria que a exposição acabasse de forma triste", explica a comissária. Assim, a última obra a ser exibida é um videoclip que Warhol fez para os "The Cars".

Cinema

O que esta exposição não mostra - já que se concentrou apenas nas criações televisivas de Warhol - é o lado cinematográfico, obscuro e artístico de Warhol. Começaram por ser horas de imagens gravadas de pessoas a fazer coisas tão simples como dormir ("Sleep", 1963), beijar ("Kiss", 1963/64), a cortar o cabelo ("Haircut", 1963) ou a ter sexo oral ("Blowjob", 1964). Warhol gostava de ver, sem interferir. Era o oposto de um realizador, já que com os seus filmes não tentava mostrar a sua visão: ele era um voyeur e a câmara os seus olhos. As imagens eram gravadas a preto e branco e depois exibidas em slow motion. Mais tarde, os seus filmes passaram a ter guiões. "Chelsea Girls" e "Couch" são exemplos disso. Guiões loucos que raramente passavam de indicações de acção e eventuais diálogos. Os actores eram todos os que gravitavam em redor de Warhol. Os proscritos da sociedade, travestis, drogados, deprimidos e aspirantes a artistas, que encontravam em "The Factory" o ateliê de Andy, uma espécie de casa. Havia drogas e sexo para todos e Warhol alimentava a sua carreira com os impulsos mais negros dos outros.

Fonte: ionline.
Até 14 de Novembro. Fui ver e gostei muito. Vão ver.

domingo, agosto 08, 2010

Retrato do Artista Enquanto Jovem - 150ª parte

Minha mãe sugeriu que eu devia escrever um conto para remediar o tédio de uma convalescença. Respondi-lhe que não sabia fazê-lo. "Como podes saber isso se nunca tentaste antes?"- perguntou-me. - Quem é?

Bookshop

O momento é de crise e os negócios de livros não escapam aos tempos difíceis. As livrarias online tentam captar a atenção dos consumidores através da Internet, com preços apelativos e com a comodidade de encomendar sem sair de casa. Não são poucas as histórias de mais uma livraria que fechou, ou em risco de falência. Os eBooks também são responsáveis por isso, já que o número de leitores que cedeu à leitura electrónica tem vindo a crescer gradualmente.

Mas há sempre lugar para o espaço físico dos livros. O Huffington Post fez uma selecção das melhores livrarias do mundo e, guess what, a portuguesa Lello está em segundo lugar. Os nove espaços seleccionados são aqueles que fazem com que qualquer utilizador de laptops e de eReaders, ceda aos encantos de comprar um livro. De papel e tinta. Com cheiro, páginas para folhear e capas de todos os tamanhos e feitios.

Top 9 livrarias mundiais:

1 – Selexyz, em Maastricht, Holanda. Em 2008 já tinha sido reconhecida pelo The Guardian como a melhor livraria do mundo. A loja é dentro de uma Igreja Dominicana, que data de 1924.

2Lello, no Porto, Portugal. Construída em 1881, com um interior de luxo, é decorada com gesso pintado que imita madeira. No tecto existe um grande vitral. A escada curvada que liga os dois andares do espaço é outra das imagens de marca da livraria Lello.

3 – El Ateneo, em Buenos Aires, Argentina. Noutros tempos foi um teatro, “The Grand Splendid”. Em 1929 foi o primeiro local no mundo a passar filmes com som. Na El Ateneo, os leitores podem descansar no elegante café que a livraria dispõe.

4 – Poplar Kid´s Republic, em Beijing, China. O espaço é amplo e conta com uma arquitectura divertida, capaz de seduzir os mais novos. Tem mais de três mil títulos, traduzidos em diversas línguas.

5 – Cafebreria El Péndulo, Cidade do México, México. Um três em um: bar, café e livraria, com plantas naturais que decoram o interior. Espaço de conforto e chillout.


6 – Shakespeare and Co, em Paris, França. É inglesa, mas está em Paris. Por lá pararam grandes autores, como Hemingway ou Fitzgerald. Ali encontram-se obras contemporâneas, como as de colecção, que não estão para venda, mas podem seu consultadas no espaço de leitura que o local tem no andar de cima.

7 – The Strand, em Nova Iorque, EUA. Tem cerca de 18 mil livros, milimetricamente arrumados e organizados. Também vende livros usados, com o preço que merecem, claro.

8 – Goulds Books Arcade, em Sydney, Austrália. Tem uma colecção de 300 mil livros e vinis, outros tantos, à volta de 650 mil, em armazém e ainda cerca de 70 mil online.


9 - Hay-on-Wye, no País de Gales. Conhecida como a “Cidade dos Livros”, existem mais de trinta livrarias na cidade. É também associada ao local onde se encontram livros em segunda mão e de edições antigas.

Este post foi integralmente copiado - com a devida autorização da amiga Maria Nunes - do excelente Nas Pregas Da Língua, aí mesmo ao lado . Olá Cat Power.

O Futuro Começou




O aspecto mais triste da vida actual é que a ciência ganha em conhecimento
mais rapidamente, que a sociedade em sabedoria - Isaac Asimov

quinta-feira, agosto 05, 2010

Escrever Escrever

"Aprendi, num curso de história de ensino à distância, que, há quarenta anos atrás, em Portugal, a mulher que quisesse ser comerciante tinha de apresentar uma autorização expressa do marido. Face a este exemplo, que tem a ver com um paradigma machista, deve, hoje, a maior parte de nós, de reagir com espanto, enquanto que no passado tal não sucedia".

O texto não tem erros, pois não? Ai tem, tem. Sete erros. Venha aprender a detectar estes e muitos outros segredos da língua portuguesa e da técnica da correcção de textos.

Revisão de Textos/Iniciação (consultar o site para informação sobre outros cursos)
4, 9, 11 e 16 de Agosto - das 19h30 às 22h - Formador: Manuel Monteiro

http://www.escreverescrever.com/

Casa Das Histórias


Serviço Educativo - Julho/Agosto 2010
Verão na Casa das Histórias

No Verão há aventuras. Tempo para sonhar acordado, fantasiar, tempo para aproveitar a sombra das árvores e desenhar os recortes de luz, sentir o fresco das folhas e o cheiro da Natureza. No Verão há tempo para descobrir novas paisagens, escutar histórias e estarmos juntos. Nestes meses de calor venha partilhar connosco o prazer da arte em todos os espaços da Casa das Histórias, nas salas de exposição, no auditório, no jardim, na loja na cafetaria. Temos à sua espera pinturas e desenhos, ciclos de cinema, ateliês onde pode aprender, descobrir talentos, ser criativo. Não deixamos a noite de fora da programação, por isso o convidamos para uma "visita sob as estrelas" e porque não para um jantar-concerto? As actividades são para todos, de todas as idades. Venha visistar a Casa, verá que aqui os dias são mais longos.

Eduardo, este post é para ti. Se não estivesses do outro lado do Oceano, tenho a certeza que irias aproveitar estes eventos ao máximo!

sábado, julho 31, 2010

Crisis? What Crisis?

Todos conhecemos a história daquele viajante que viu, em Nápoles, doze mendigos estendidos ao sol e ofereceu uma libra ao mais preguiçoso de todos. Onze mendigos levantaram-se num salto para a exigir, de maneira que o viajante deu-a ao que nem sequer se mexeu.

Bertrand Russell in "O Elogio ao Ócio"

Contraluz


António Feio
1954-2010

sexta-feira, julho 30, 2010

Eu Não Sou Marxista

"A história da sociedade até aos nossos dias é a história da luta de classes."
Karl Marx

quarta-feira, julho 28, 2010

A Morte Por Um Fio

Pode a literatura pôr fim a uma vida de crime? Nos Estados Unidos da América, vingou um programa que se chama Mudando Vidas Através da Literatura: em vez de mandar o réu para a prisão, a juiz manda-o ler e discutir boa literatura - Em Portugal, não há nada parecido.

Robert Waxler, professor de Inglês na Universidade de Massachusetts, nos Estados Unidos, acabara de jogar uma partida de ténis com Bob Kane, juiz do tribunal distrital de New Bedford. Sentaram-se, ainda a transpirar, para conversar um pouco. O magistrado queixou-se da Justiça, que já lhe parecia uma espécie de torniquete do sistema prisional: prendia e libertava e tornava a prender. O amigo, dono de uma fé inabalável no poder da literatura, viu ali uma oportunidade: "Vamos fazer uma experiência. Vais pegar em oito homens que te apareçam pela frente nas próximas semanas e, em vez de os mandares para a cadeia, manda-los a um seminário de literatura na universidade. Eu arranjo a sala, escolho os livros e oriento as discussões." O académico recordou aquele episódio numa entrevista que deu à Mass Humanities. Fê-lo enfatizando a coragem do juiz por admitir que ler e discutir boa literatura podiam ser uma alternativa à prisão - sem qualquer evidência científica ainda. Pediu-lhe para escolher "rapazes duros". E ele, com a ajuda do técnico de reinserção social Wayne St. Pierre, escolheu oito homens, no mínimo com o 8.º ano de escolaridade, que somavam 145 condenações.
Esta é a génese do programa Mudando Vidas através da Literatura, que arrancou em 1991 em Massachusetts e funciona agora em diversos estados norte-americanos - incluindo o Texas, senhor de uma das maiores taxas de encarceramento do planeta e um dos que mais aplicam a pena de morte. Em quase 20 anos, milhares de condenados leram e debateram obras como O Velho e o Mar, de Ernest Hemingway. "As histórias funcionam como um espelho", explicou Robert Waxler ao jornal New York Times. Ao lê-las, uma pessoa pode perceber quem é e o que quer ser. Não só os condenados, também os técnicos de reinserção social e os juízes que participam nas sessões. (...)


(...) Podia um programa destes funcionar em Portugal?

Ana Cristina Pereira - Jornal Público
Por ser um artigo muito longo, não copiei tudo. Mas vale a pena lê-lo na totalidade
aqui.

segunda-feira, julho 26, 2010

Warhol TV

Entre 1979 e 1987, Andy Warhol (1928-1987) produziu e realizou verdadeiras emissões de televisão. Essa parte da sua obra - até hoje bastante desconhecida - é o reflexo das obsessões do artista: beleza, celebridade, fascínio por outros artistas, músicos ou estilistas. Um mergulho na Nova Iorque dos anos de 1980 e uma nova reality television.

Exposição produzida em cooperação com o The Andy Warhol Museum.
Um dos Carnegie Museums of Pittsburgh.
Com o apoio da Maison Rouge, Paris.
Integrada no FUSO. Festival Anual Internacional de Vídeo Arte de Lisboa.
Curadoria: Judith Benhamou-Huet.
Até 14 de Novembro de 2010.

Summer Night


Não sei onde é que vou arranjar dinheiro para isto tudo, vou mesmo ter que ir roubar este mês... mas John Surman e Jack DeJohnette já ninguém me tira. Devia de haver um subsídio cultural, ou coisa que o valha, não acham?! Seria uma boa medida para incentivar o acesso à cultura, criar um plafond mensal ou assim. Por exemplo: vou ver dois ou três concertos ou peças de teatro por mês ou até mesmo outro evento qualquer e depois apresentava a conta ao Ministério da Cultura ou outra entidade do género cheia de assessores e assessores de assessores e secretárias de assessores e eles diziam - oh, que linda menina, que amiga que ela é de bons espectáculos, assim é que é, toma lá de volta o dinheiro dos bilhetes e vai comprar mais!... Whaaat?! Estou a dizer disparates? Estou a sonhar? A delirar? Estão 40º lá fora, estão à espera do quê?! Mas não era bom que assim fosse? Era, não era?!?!
(...I simply remember my favorite things, and then I don't feeeeeel sooo baaaaaad.)

quinta-feira, julho 22, 2010

Arlequim

No seu atelier - 5 rue Schoelcher, 25 Julho 1916

Se apenas houvesse uma única verdade,
não poderiam pintar-se cem telas sobre o mesmo tema.
Pablo Picasso

sábado, julho 17, 2010

Perfect Day



No Verão de 2005, Vincent Moon fez este filme com uma super8 em França, a pedido dos The National para o single Lit Up do excelente álbum Alligator - "algures entre a música rock e a natureza ou como nós, os humanos, somos pura emoção, pulando da água para o palco, libertando o que nos vai na alma" - Vincent Moon.


E então a coisa vai ser assim: levantar bem cedinho amanhã de manhã. Encontro com alguns amiguinhos em Lisboa, em local a combinar. Atravessar a ponte, rumo ao Meco. Encontro com outros amiguinhos que já lá estão desde ontem. Ouvir as novidades e impressões deixadas pelos concertos das noites anteriores. Rir muito e dizer repetidamente "ya ya que fixe". Alagartar com o que resta da carcaça nas areias da praia. Dar umas cacholadas nas ondas, para refrescar as idéias e soltar o ranho que se vai acumulando ao longo da semana. Dizer disparates. Rir muito. Fazer xixi no mar, a única maneira de aquecer a água durante breves instantes. Comer uma ou duas pistoletes (sandochas) de atum com tomate. Beber água. Falar sobre as últimas coisas que se andam a ler e outras tipo "o quéquetensfeito?". Comer pêssegos, ameixas e melão partido aos quadradinhos numa tuperuére. Beber mais água. Começar a arrumar a tralha e recolher o lixo para vir embora. Sacudir a areia dos pézinhos e limpar bem aquela que o vento foi colocando nas orelhas e nas pregas das partes pudibundas. Vestir a mesma roupa. Constatar que não vale a pena tomar duche, vai mesmo assim, o cabelo todo desgrenhado e a pele a saber a sal. Rir muito, dizer mais coisas sem sentido nenhum e beber mais água. Chegada ao recinto do festival e começar a comer pó. Ir à procura do bar mais próximo. Deambular por ali, de copo de plástico na mão e a saltitar de palco em palco para conseguir ver o mais possível para depois ter assunto de conversa com os amigos. Bater palminhas segurando o copo com os dentes, assobiar e continuar a rir muito. Dar beijinhos aos The National e abracinhos aos Spoon. Beber mais umas jolas para limpar a garganta daquela poeirada toda. Gemer. Gemer muito e pensar "qu'esta merda nunca mais acaba, já não sinto os pés". Ai. Bater mais palminhas, clap clap clap, dar muitos pulinhos e gritinhos quando Prince pisar o palco. Já cá veio duas vezes e eu nunca vi. Devia de andar distraída com outras coisas. Jiboiar um bocado por ali no chão ou assim, irreconhecíveis com tanta terra em cima, podres de cansaço, ah ganda concerto e tal, mas muito contentinhos também. Suspiros e mais gemidos de dor, todos juntos. Aaaai... Regressar a Lisboa não sei a que horas, não sei se no domingo ou segunda, logo se vê. Oh it's such a perfect day, I'm glad I spent it with you... (Lou Reed).

sexta-feira, julho 16, 2010

Uma Família Às Direitas...

A família Kerouac num bar, em 1944.
Da esquerda para a direita: Jack, Caroline (“Nin”) a irmã, Gabrielle, a mãe e Leo Kerouac, o pai.
New York Public Library, Berg Collection, Jack Kerouac Archive.
Image courtesy of John G. Sampas.

quinta-feira, julho 15, 2010

A Vuvuzela...

Só falta mesmo aqui o exemplo do uso que o Maradona vai dar à execrável vuvuzela. Mas se pensarem um bocadinho, não é difícil... Terá ele nariz para aquilo tudo?! Fooooonc, foooonc, snif, snif, fooooooooooonc... eeeisssch... coooñooo...

A Partida

Foto - Dennis Hopper

Ordenei que trouxessem o meu cavalo dos estábulos. O criado não compreendeu as minhas ordens. Por isso fui eu próprio até aos estábulos, selei o meu cavalo e montei. Escutei, à distância, o som de um trompete e perguntei ao criado o que significava. Ele não sabia nada, nada ouvira. Frente ao portão, deteve-me e perguntou:
- Onde vai o meu amo?
- Não sei - respondi. Daqui para fora, vou-me embora, apenas. Daqui para fora, é só, só assim conseguirei atingir o meu objectivo.
- Então vossa senhoria sabe qual é o seu objectivo? - perguntou ele.
- Sim - retorqui. Já te disse: daqui para fora. É esse o meu objectivo.

Franz Kafka
- A Partida (Contos)

quarta-feira, julho 14, 2010

segunda-feira, julho 12, 2010

Poema Enjoadinho

Minha filha Cristiana, 9 anos (1995) - Consolação, Peniche

Filhos... Filhos?
Melhor não tê-los!
Mas se não os temos
Como sabê-lo?
Se não os temos
Que de consulta
Quanto silêncio
Como os queremos!
Banho de mar
Diz que é um porrete...
Cônjuge voa
Transpõe o espaço
Engole água
Fica salgada
Se iodifica
Depois, que boa
Que morenaço
Que a esposa fica!
Resultado: filho.
E então começa
A aporrinhação:
Cocô está branco
Cocô está preto
Bebe amoníaco
Comeu botão.
Filhos? Filhos
Melhor não tê-los
Noites de insônia
Cãs prematuras
Prantos convulsos
Meu Deus, salvai-o!
Filhos são o demo
Melhor não tê-los...
Mas se não os temos
Como sabê-los?
Como saber
Que macieza
Nos seus cabelos
Que cheiro morno
Na sua carne
Que gosto doce
Na sua boca!
Chupam gilete
Bebem shampoo
Ateiam fogo
No quarteirão
Porém, que coisa
Que coisa louca
Que coisa linda
Que os filhos são!


Poema Enjoadinho - Vinicius de Moraes

O texto acima foi extraído do livro "Antologia Poética", Editora do Autor - Rio de Janeiro, 1960.

O Ovo

A minha filha chegou há pouco a casa e disse:
- Mãe, estou cheia de fome! O que é o jantar?
- Ainda não sei, talvez uns bifinhos de peru grelhados com uma saladinha... Apetece-te?
- Nem por isso, o que me apetecia mesmo era arroz branco empapado em manteiga com ovinhos mexidos. Ó mãezinha querida, vá lá...
E como mãe é mãe e filhos é aquela gente que sai cá de dentro... sai uma dose de ovo mexido com arroz branco para a mesa do canto!!!... Ainda por cima é fácil e barato...


Ovo. Agora essa. Descobriram que ovo, afinal, não faz mal. Durante anos, nos aterrorizaram. Ovos eram bombas de colesterol. Não eram apenas desaconselháveis, eram mortais. Você podia calcular em dias o tempo de vida perdido cada vez que comia uma gema. Cardíacos deviam desviar o olhar se um ovo fosse servido num prato vizinho: ver ovo fazia mal. E agora estão dizendo que foi tudo um engano, o ovo é inofensivo. O ovo é incapaz de matar uma mosca. A próxima notícia será que bacon lima as artérias. Sei não, mas me devem algum tipo de indenização. Não se renuncia a pouca coisa quando se renuncia ao ovo frito. Dizem que a única coisa melhor do que ovo frito é sexo. A comparação é difícil. Não existe nada no sexo comparável a uma gema deixada intacta em cima do arroz depois que a clara foi comida, esperando o momento de prazer supremo quando o garfo romperá, sim, se desmanchará, e o líquido quente e viscoso correrá e se espalhará pelo arroz como as gazelas douradas entre os lírios de Gileade nos cantares de Salomão, sim, e você levará o arroz à boca e o saboreará até o último grão molhado, sim, e depois ainda limpará o prato com pão. Ou existe e eu é que tenho andado na turma errada. O fato é que quero ser ressarcido de todos os ovos fritos que não comi nestes anos de medo inútil. E os ovos mexidos, e os ovos quentes, e as omeletes babadas, e os toucinhos do céu, e, meu Deus, os fios de ovos. Os fios de ovos que não comi para não morrer dariam várias voltas no globo. Quem os trará de volta? E pensar que cheguei a experimentar ovo artificial, uma pálida paródia de ovo que, esta sim, deve ter me roubado algumas horas de vida a cada garfada infeliz. Ovo frito na manteiga! O rendado marrom das bordas tostadas da clara, o amarelo provençal da gema… Eu sei, eu sei. Manteiga ainda não foi liberada. Mas é só uma questão de tempo.

Luís Fernando Veríssimo

quarta-feira, julho 07, 2010

C'est Comme Ça...

Estive a rever o embate televisivo, em 1980, entre Catherine Ringer e Serge Gainsbourg. A primeira coisa que ali vemos é Ringer, cantora do duo Les Rita Mitsouko e moderna a cheirar a novo, sentada ao lado de um moderno consolidado, o volúvel Gainsbourg. Não tarda a verificar-se o previsível choque, talvez geracional. Ringer, empenhada em épater o moderno consolidado, contou que tinha participado em filmes porno e foi interrompida por um depreciativo Gainsbourg, que lhe disse que isso era simplesmente fazer de puta e não podia causar mais vómitos. A conversa enrolou-se durante um bom bocado, porque Ringer (genial artista que me revelou Sergi Pàmies, o Inverno passado) recusou-se a aceitar que ser actriz porno fosse repugnante e ela, uma puta. Gainsbourg insistiu que ser puta era nauseabundo. Ringer disse então que quem era asqueroso era precisamente ele, mas acabou por aceitar, com um meio-sorriso, que o seu passado era repugnante. "Em todo o caso - desculpou-se Ringer - o meu trabalho faz parte da aventura moderna". E então o caldo entornou-se de vez, e o momento acabou por se tornar memorável.
- Ah, não! - disse um exaltado Gainsbourg - A aventura moderna não é repugnante. Nós temos ética.
Se Rimbaud, no séc. XIX, semeou a essência do ser moderno em França, Gainsbourg, na mesma França, apontou o fim do "vale tudo", marcou os limites morais da vanguarda e deu o primeiro pontapé na modernidade sem ética. Um momento histórico.

Fonte: Diário Volúvel - Enrique Vila-Matas, 2008
Teorema - Fevereiro, 2010

sábado, julho 03, 2010

A Cor Do Horto Gráfico

Dada a importância do texto e a ajuda de alguns elementos provenientes do Brasil e PALOP (países africanos de língua oficial portuguesa), assim como do professor Carlos Reis e da escritora Lídia Jorge, aqui ficam as principais actualizações, perdão, digo "atualizações" ao novo acordo ortográfico. Sugiro que se sentem (de sentar, não de sentir) di frentchi pára o monitô do computadô e répitam em voisss auta asss novasss entradasss dji preferêeeencia com sôtaqui du Brasiu, né?!.

Última atualização do dicionário de língua portuguesa - novas entradas:


Testículo
: Texto pequenino

Abismado: Sujeito que caiu de um abismo
Pressupor: Colocar preço em alguma coisa
Biscoito: Fazer sexo duas vezes
Coitado: Pessoa vítima de coito
Padrão: Padre muito alto
Estouro: Boi que sofreu operação de mudança de sexo
Democracia: Sistema de governo do inferno
Barracão: Proíbe a entrada de caninos
Homossexual: Sabão em pó para lavar as partes íntimas
Ministério: Aparelho de som de dimensões muito reduzidas
Detergente: Acto de prender seres humanos
Eficiência: Estudo das propriedades da letra F
Conversão: Conversa prolongada
Halogéneo: Forma de cumprimentar pessoas muito inteligentes
Expedidor: Mendigo que mudou de classe social
Luz solar: Sapato que emite luz por baixo
Cleptomaníaco: Mania por Eric Clapton
Tripulante: Especialista em salto triplo
Contribuir: Ir para algum lugar com vários índios
Aspirado: Carta de baralho completamente maluca
Assaltante: Um 'A' que salta
Determine: Prender a namorada do Mickey Mouse
Ortográfico: Horta feita com letras
Destilado: Do lado contrário a esse
Pornográfico: O mesmo que colocar no desenho
Coordenada: Que não tem cor
Presidiário: Aquele que é preso diariamente
Ratificar: Tornar-se um rato
Violentamente: Viu com lentidão

Este texto foi-me enviado por email pelo meu querido paizinho, que está a convalescer duma pequena operação a uma hérnia na virilha direita. Foi a quarta ou quinta intervenção a hérnias que ele fez. Umas vezes do lado direito, outras do lado esquerdo. Enfim, consequências tardias para quem passou muitos anos a atirar-se de aviões cá pra baixo. Manias...

terça-feira, junho 29, 2010

Quase Famosos

Conjunto de baile com a cabeça na Lisboa dos anos 50 e 60 e os pés assentes no século XXI, João Paulo Feliciano e comparsas estendem um convite: abandone-se à sua dança!

São 11 cantores e instrumentistas, suficientes para dar corpo a uma equipa de futebol mas motivados por um objectivo bem distinto: o de recuperar os sons e o universo cénico da Lisboa pós Segunda Guerra Mundial, época em que a capital começava a abrir os braços à música vinda de África e da América Latina, com o Brasil à cabeça. É nessa bolha espácio-temporal que os Real Combo Lisbonense, uma das bandas recrutadas para a série Optimus Discos, têm orgulho de operar, ainda que com os pés firmemente assentes no século XXI. Explica o mentor do grupo, João Paulo Feliciano: "Eu faço o exercício de pensar no trabalho do Real Combo Lisbonense como o daqueles agrupamentos que tocam música barroca, com os instrumentos originais. Tal como eles, fazemos um trabalho de recuperação do património musical do passado, mas transpomo-lo para o presente, porque o grupo é vivido e pensado por pessoas de agora, para pessoas de agora".

Em palco, a banda dá o corpo ao manifesto, envergando fatos e vestidos que parecem saídos da época que inspira a música: as décadas de 50 e 60 do século passado. "Nós pensamos a música como um todo", explica João Paulo Feliciano. "Não fazia sentido irmos para o palco cada um vestido à sua maneira, isso chocaria com a ideia de conjunto que é inerente ao Real Combo Lisbonense".
Site: www.myspace.com/realcombolisbonense

Fonte: Jornal Optimus/Blitz nº 18.

Bailarico Sofisticado

Estava eu aqui sossegada, uma moça tranquila, submissa e recatada na cinzentice da sua vidinha triste, amorfa e inodora, metida cá com os meus impolutos pensamentos, eis senão quando começam os amiguinhos a mandar e-mails e sms, a envenenar-me portanto, acerca dum baile qualquer na próxima quinta-feira. Eu juro que não queria ir, palavra de honra que é verdade, mas depois... se rejeitar tão amável convite temo ofendê-los no mais profundo das suas almas, no mais íntimo dos seus delicados seres. Pois. E depois como também nunca vou a lado nenhum... nunca saio de casa... não conheço o mundo lá fora... talvez seja melhor dizer que sim, que vou... pois... malandros!

domingo, junho 27, 2010

Europa

A Europa vista pelos Norte-Americanos
A Europa vista pelos Alemães

A Europa vista pelos Franceses

A Europa vista pelos Italianos

A Europa vista pelos Búlgaros

A Europa vista pelos Ingleses

A Europa vista pelos Húngaros

German Faces

Collier Schorr é uma artista norte-americana (1963, Nova Iorque) cujo trabalho tem privilegiado a fotografia, mas também a colagem, o desenho e o vídeo. As questões em torno da história, da memória colectiva e da identidade social têm ocupado o centro das suas preocupações estéticas e conceptuais, num imaginário que oscila por diferentes géneros documentais e ficcionais. Esta exposição centra-se nos trabalhos que Collier Schorr tem realizado ao longo das últimas duas décadas numa pequena cidade, Schwäbisch Gmünd, situada no sul da Alemanha. Mais do que procurar os vestígios da guerra, ela representa uma realidade vernacular, um mundo bucólico à espera de se regenerar, de resolver ou de tornar tolerável a sua própria história. Nesse sentido, esta pequena cidade bem como estes rostos alemães compõem uma metáfora da Alemanha do pós-guerra, uma sociedade presa na sua própria história. Mas podemos perceber também um alcance mais geral, como uma ampla reflexão sobre a relação entre a imagem e a herança histórica, mas também como uma problematização crítica do icónico e das suas implicações culturais e políticas.
Até 15/Agosto/2010

terça-feira, junho 22, 2010

segunda-feira, junho 21, 2010

Paul & John

Esta aqui em cima é só mais um presentinho para os Adoradores de Beatles.

Um pequeno close-up das fotos do passatempo anterior.



Não me perguntem onde é que arranjei isto, que já não me lembro. Andam por aí, acho eu.