domingo, agosto 08, 2010
Bookshop
Mas há sempre lugar para o espaço físico dos livros. O Huffington Post fez uma selecção das melhores livrarias do mundo e, guess what, a portuguesa Lello está em segundo lugar. Os nove espaços seleccionados são aqueles que fazem com que qualquer utilizador de laptops e de eReaders, ceda aos encantos de comprar um livro. De papel e tinta. Com cheiro, páginas para folhear e capas de todos os tamanhos e feitios.
Top 9 livrarias mundiais:
1 – Selexyz, em Maastricht, Holanda. Em 2008 já tinha sido reconhecida pelo The Guardian como a melhor livraria do mundo. A loja é dentro de uma Igreja Dominicana, que data de 1924.
2 – Lello, no Porto, Portugal. Construída em 1881, com um interior de luxo, é decorada com gesso pintado que imita madeira. No tecto existe um grande vitral. A escada curvada que liga os dois andares do espaço é outra das imagens de marca da livraria Lello.3 – El Ateneo, em Buenos Aires, Argentina. Noutros tempos foi um teatro, “The Grand Splendid”. Em 1929 foi o primeiro local no mundo a passar filmes com som. Na El Ateneo, os leitores podem descansar no elegante café que a livraria dispõe.
4 – Poplar Kid´s Republic, em Beijing, China. O espaço é amplo e conta com uma arquitectura divertida, capaz de seduzir os mais novos. Tem mais de três mil títulos, traduzidos em diversas línguas.
5 – Cafebreria El Péndulo, Cidade do México, México. Um três em um: bar, café e livraria, com plantas naturais que decoram o interior. Espaço de conforto e chillout.
6 – Shakespeare and Co, em Paris, França. É inglesa, mas está em Paris. Por lá pararam grandes autores, como Hemingway ou Fitzgerald. Ali encontram-se obras contemporâneas, como as de colecção, que não estão para venda, mas podem seu consultadas no espaço de leitura que o local tem no andar de cima.
7 – The Strand, em Nova Iorque, EUA. Tem cerca de 18 mil livros, milimetricamente arrumados e organizados. Também vende livros usados, com o preço que merecem, claro.
8 – Goulds Books Arcade, em Sydney, Austrália. Tem uma colecção de 300 mil livros e vinis, outros tantos, à volta de 650 mil, em armazém e ainda cerca de 70 mil online.
9 - Hay-on-Wye, no País de Gales. Conhecida como a “Cidade dos Livros”, existem mais de trinta livrarias na cidade. É também associada ao local onde se encontram livros em segunda mão e de edições antigas.
Este post foi integralmente copiado - com a devida autorização da amiga Maria Nunes - do excelente Nas Pregas Da Língua, aí mesmo ao lado . Olá Cat Power.
quinta-feira, agosto 05, 2010
Escrever Escrever
"Aprendi, num curso de história de ensino à distância, que, há quarenta anos atrás, em Portugal, a mulher que quisesse ser comerciante tinha de apresentar uma autorização expressa do marido. Face a este exemplo, que tem a ver com um paradigma machista, deve, hoje, a maior parte de nós, de reagir com espanto, enquanto que no passado tal não sucedia".Revisão de Textos/Iniciação (consultar o site para informação sobre outros cursos)
4, 9, 11 e 16 de Agosto - das 19h30 às 22h - Formador: Manuel Monteiro
http://www.escreverescrever.com/
Casa Das Histórias

No Verão há aventuras. Tempo para sonhar acordado, fantasiar, tempo para aproveitar a sombra das árvores e desenhar os recortes de luz, sentir o fresco das folhas e o cheiro da Natureza. No Verão há tempo para descobrir novas paisagens, escutar histórias e estarmos juntos. Nestes meses de calor venha partilhar connosco o prazer da arte em todos os espaços da Casa das Histórias, nas salas de exposição, no auditório, no jardim, na loja na cafetaria. Temos à sua espera pinturas e desenhos, ciclos de cinema, ateliês onde pode aprender, descobrir talentos, ser criativo. Não deixamos a noite de fora da programação, por isso o convidamos para uma "visita sob as estrelas" e porque não para um jantar-concerto? As actividades são para todos, de todas as idades. Venha visistar a Casa, verá que aqui os dias são mais longos.
Eduardo, este post é para ti. Se não estivesses do outro lado do Oceano, tenho a certeza que irias aproveitar estes eventos ao máximo!
sábado, julho 31, 2010
Crisis? What Crisis?
sexta-feira, julho 30, 2010
quarta-feira, julho 28, 2010
A Morte Por Um Fio
Robert Waxler, professor de Inglês na Universidade de Massachusetts, nos Estados Unidos, acabara de jogar uma partida de ténis com Bob Kane, juiz do tribunal distrital de New Bedford. Sentaram-se, ainda a transpirar, para conversar um pouco. O magistrado queixou-se da Justiça, que já lhe parecia uma espécie de torniquete do sistema prisional: prendia e libertava e tornava a prender. O amigo, dono de uma fé inabalável no poder da literatura, viu ali uma oportunidade: "Vamos fazer uma experiência. Vais pegar em oito homens que te apareçam pela frente nas próximas semanas e, em vez de os mandares para a cadeia, manda-los a um seminário de literatura na universidade. Eu arranjo a sala, escolho os livros e oriento as discussões." O académico recordou aquele episódio numa entrevista que deu à Mass Humanities. Fê-lo enfatizando a coragem do juiz por admitir que ler e discutir boa literatura podiam ser uma alternativa à prisão - sem qualquer evidência científica ainda. Pediu-lhe para escolher "rapazes duros". E ele, com a ajuda do técnico de reinserção social Wayne St. Pierre, escolheu oito homens, no mínimo com o 8.º ano de escolaridade, que somavam 145 condenações.Esta é a génese do programa Mudando Vidas através da Literatura, que arrancou em 1991 em Massachusetts e funciona agora em diversos estados norte-americanos - incluindo o Texas, senhor de uma das maiores taxas de encarceramento do planeta e um dos que mais aplicam a pena de morte. Em quase 20 anos, milhares de condenados leram e debateram obras como O Velho e o Mar, de Ernest Hemingway. "As histórias funcionam como um espelho", explicou Robert Waxler ao jornal New York Times. Ao lê-las, uma pessoa pode perceber quem é e o que quer ser. Não só os condenados, também os técnicos de reinserção social e os juízes que participam nas sessões. (...)

(...) Podia um programa destes funcionar em Portugal?
Ana Cristina Pereira - Jornal Público
Por ser um artigo muito longo, não copiei tudo. Mas vale a pena lê-lo na totalidade aqui.
segunda-feira, julho 26, 2010
Warhol TV
Entre 1979 e 1987, Andy Warhol (1928-1987) produziu e realizou verdadeiras emissões de televisão. Essa parte da sua obra - até hoje bastante desconhecida - é o reflexo das obsessões do artista: beleza, celebridade, fascínio por outros artistas, músicos ou estilistas. Um mergulho na Nova Iorque dos anos de 1980 e uma nova reality television.Exposição produzida em cooperação com o The Andy Warhol Museum.
Um dos Carnegie Museums of Pittsburgh.
Com o apoio da Maison Rouge, Paris.
Integrada no FUSO. Festival Anual Internacional de Vídeo Arte de Lisboa.
Curadoria: Judith Benhamou-Huet.
Até 14 de Novembro de 2010.
Summer Night
Não sei onde é que vou arranjar dinheiro para isto tudo, vou mesmo ter que ir roubar este mês... mas John Surman e Jack DeJohnette já ninguém me tira. Devia de haver um subsídio cultural, ou coisa que o valha, não acham?! Seria uma boa medida para incentivar o acesso à cultura, criar um plafond mensal ou assim. Por exemplo: vou ver dois ou três concertos ou peças de teatro por mês ou até mesmo outro evento qualquer e depois apresentava a conta ao Ministério da Cultura ou outra entidade do género cheia de assessores e assessores de assessores e secretárias de assessores e eles diziam - oh, que linda menina, que amiga que ela é de bons espectáculos, assim é que é, toma lá de volta o dinheiro dos bilhetes e vai comprar mais!... Whaaat?! Estou a dizer disparates? Estou a sonhar? A delirar? Estão 40º lá fora, estão à espera do quê?! Mas não era bom que assim fosse? Era, não era?!?! (...I simply remember my favorite things, and then I don't feeeeeel sooo baaaaaad.)
quinta-feira, julho 22, 2010
sábado, julho 17, 2010
Perfect Day
No Verão de 2005, Vincent Moon fez este filme com uma super8 em França, a pedido dos The National para o single Lit Up do excelente álbum Alligator - "algures entre a música rock e a natureza ou como nós, os humanos, somos pura emoção, pulando da água para o palco, libertando o que nos vai na alma" - Vincent Moon.
E então a coisa vai ser assim: levantar bem cedinho amanhã de manhã. Encontro com alguns amiguinhos em Lisboa, em local a combinar. Atravessar a ponte, rumo ao Meco. Encontro com outros amiguinhos que já lá estão desde ontem. Ouvir as novidades e impressões deixadas pelos concertos das noites anteriores. Rir muito e dizer repetidamente "ya ya que fixe". Alagartar com o que resta da carcaça nas areias da praia. Dar umas cacholadas nas ondas, para refrescar as idéias e soltar o ranho que se vai acumulando ao longo da semana. Dizer disparates. Rir muito. Fazer xixi no mar, a única maneira de aquecer a água durante breves instantes. Comer uma ou duas pistoletes (sandochas) de atum com tomate. Beber água. Falar sobre as últimas coisas que se andam a ler e outras tipo "o quéquetensfeito?". Comer pêssegos, ameixas e melão partido aos quadradinhos numa tuperuére. Beber mais água. Começar a arrumar a tralha e recolher o lixo para vir embora. Sacudir a areia dos pézinhos e limpar bem aquela que o vento foi colocando nas orelhas e nas pregas das partes pudibundas. Vestir a mesma roupa. Constatar que não vale a pena tomar duche, vai mesmo assim, o cabelo todo desgrenhado e a pele a saber a sal. Rir muito, dizer mais coisas sem sentido nenhum e beber mais água. Chegada ao recinto do festival e começar a comer pó. Ir à procura do bar mais próximo. Deambular por ali, de copo de plástico na mão e a saltitar de palco em palco para conseguir ver o mais possível para depois ter assunto de conversa com os amigos. Bater palminhas segurando o copo com os dentes, assobiar e continuar a rir muito. Dar beijinhos aos The National e abracinhos aos Spoon. Beber mais umas jolas para limpar a garganta daquela poeirada toda. Gemer. Gemer muito e pensar "qu'esta merda nunca mais acaba, já não sinto os pés". Ai. Bater mais palminhas, clap clap clap, dar muitos pulinhos e gritinhos quando Prince pisar o palco. Já cá veio duas vezes e eu nunca vi. Devia de andar distraída com outras coisas. Jiboiar um bocado por ali no chão ou assim, irreconhecíveis com tanta terra em cima, podres de cansaço, ah ganda concerto e tal, mas muito contentinhos também. Suspiros e mais gemidos de dor, todos juntos. Aaaai... Regressar a Lisboa não sei a que horas, não sei se no domingo ou segunda, logo se vê. Oh it's such a perfect day, I'm glad I spent it with you... (Lou Reed).
sexta-feira, julho 16, 2010
Uma Família Às Direitas...
quinta-feira, julho 15, 2010
A Partida
Ordenei que trouxessem o meu cavalo dos estábulos. O criado não compreendeu as minhas ordens. Por isso fui eu próprio até aos estábulos, selei o meu cavalo e montei. Escutei, à distância, o som de um trompete e perguntei ao criado o que significava. Ele não sabia nada, nada ouvira. Frente ao portão, deteve-me e perguntou:
Franz Kafka - A Partida (Contos)
quarta-feira, julho 14, 2010
segunda-feira, julho 12, 2010
Poema Enjoadinho
Filhos... Filhos?
Melhor não tê-los!
Mas se não os temos
Como sabê-lo?
Se não os temos
Que de consulta
Quanto silêncio
Como os queremos!
Banho de mar
Diz que é um porrete...
Cônjuge voa
Transpõe o espaço
Engole água
Fica salgada
Se iodifica
Depois, que boa
Que morenaço
Que a esposa fica!
Resultado: filho.
E então começa
A aporrinhação:
Cocô está branco
Cocô está preto
Bebe amoníaco
Comeu botão.
Filhos? Filhos
Melhor não tê-los
Noites de insônia
Cãs prematuras
Prantos convulsos
Meu Deus, salvai-o!
Filhos são o demo
Melhor não tê-los...
Mas se não os temos
Como sabê-los?
Como saber
Que macieza
Nos seus cabelos
Que cheiro morno
Na sua carne
Que gosto doce
Na sua boca!
Chupam gilete
Bebem shampoo
Ateiam fogo
No quarteirão
Porém, que coisa
Que coisa louca
Que coisa linda
Que os filhos são!
Poema Enjoadinho - Vinicius de Moraes
O Ovo
- Mãe, estou cheia de fome! O que é o jantar?
- Ainda não sei, talvez uns bifinhos de peru grelhados com uma saladinha... Apetece-te?
- Nem por isso, o que me apetecia mesmo era arroz branco empapado em manteiga com ovinhos mexidos. Ó mãezinha querida, vá lá...

Luís Fernando Veríssimo
quarta-feira, julho 07, 2010
C'est Comme Ça...
Estive a rever o embate televisivo, em 1980, entre Catherine Ringer e Serge Gainsbourg. A primeira coisa que ali vemos é Ringer, cantora do duo Les Rita Mitsouko e moderna a cheirar a novo, sentada ao lado de um moderno consolidado, o volúvel Gainsbourg. Não tarda a verificar-se o previsível choque, talvez geracional. Ringer, empenhada em épater o moderno consolidado, contou que tinha participado em filmes porno e foi interrompida por um depreciativo Gainsbourg, que lhe disse que isso era simplesmente fazer de puta e não podia causar mais vómitos. A conversa enrolou-se durante um bom bocado, porque Ringer (genial artista que me revelou Sergi Pàmies, o Inverno passado) recusou-se a aceitar que ser actriz porno fosse repugnante e ela, uma puta. Gainsbourg insistiu que ser puta era nauseabundo. Ringer disse então que quem era asqueroso era precisamente ele, mas acabou por aceitar, com um meio-sorriso, que o seu passado era repugnante. "Em todo o caso - desculpou-se Ringer - o meu trabalho faz parte da aventura moderna". E então o caldo entornou-se de vez, e o momento acabou por se tornar memorável.
- Ah, não! - disse um exaltado Gainsbourg - A aventura moderna não é repugnante. Nós temos ética.
Se Rimbaud, no séc. XIX, semeou a essência do ser moderno em França, Gainsbourg, na mesma França, apontou o fim do "vale tudo", marcou os limites morais da vanguarda e deu o primeiro pontapé na modernidade sem ética. Um momento histórico.
Fonte: Diário Volúvel - Enrique Vila-Matas, 2008
Teorema - Fevereiro, 2010












