sexta-feira, dezembro 19, 2008

O Sô Guarda e Eu...


Esta madrugada, às 2h30m, no largo do Vela Latina, Doca do Bom Sucesso, Lisboa.
- Boa noite, sra. condutora.
- B'noite, sô guarda.
- Mostra-me, por favor, o seu bilhete de identidade e a sua carta de condução?
- Concerteza, sô guarda...
O sô guarda pega na lanterninha, aponta para os documentos, estica as beiças em sinal de aprovação, abana a cabeça e...
- A sra. condutora ingeriu bebidas alcoólicas?
- Só uma cervejinha, sô guarda...
- Há muito tempo?
- Há mais ou menos uma hora...
- Sente-se à vontade para fazer o teste?
- Ora essa, sô guarda, por quem me toma?!
- Então, pode seguir e um resto de boa noite!
Eu juro que só tinha bebido uma imperialzinha mesmo...

Matthew McConaughey


Não prestas pra nada...

Quantas vezes, Amor, me tens ferido?


Quantas vezes, Amor, me tens ferido?
Quantas vezes, Razão, me tens curado?
Quão fácil de um estado a outro estado
O mortal sem querer é conduzido!

Tal, que em grau venerando, alto e luzido,
Como que até regia a mão do fado,
Onde o Sol, bem de todos, lhe é vedado,
Depois com ferros vis se vê cingido:

Para que o nosso orgulho as asas corte,
Que variedade inclui esta medida,
Este intervalo da existência à morte!

Travam-se gosto, e dor; sossego e lida;
É lei da natureza, é lei da sorte,
Que seja o mal e o bem matiz da vida.

Bocage

quarta-feira, dezembro 17, 2008

Tony Joe White & Johnny Cash - Polk Salad Annie

Clube de Combate


"O álcool não consola, não preenche os vazios psicológicos, mas supre a ausência de Deus. Não compensa o homem. Pelo contrário, anima a sua loucura, transporta-o a regiões supremas onde é mestre do seu próprio destino".
Marguerite Duras

terça-feira, dezembro 16, 2008

Smog (Bill Callahan) - Rock Bottom Riser

A Guerra das Rosas


Mulher - Onde vais?
Homem - Vou sair um pouco.
Mulher - Vais de carro?
Homem - Sim.
Mulher - Tem gasolina?
Homem - Sim.... coloquei.
Mulher - Vais demorar?
Homem - Não... coisa de uma hora.
Mulher - Vais a algum lugar específico?
Homem - Não... só andar por aí.
Mulher - Não preferes ir a pé?
Homem - Não... vou de carro.
Mulher - Traz-me um gelado!
Homem - Trago... que sabor?
Mulher - Morango.
Homem - Ok... na volta pra casa eu passo na loja e compro.
Mulher - Na volta?
Homem - Sim... senão, derrete.
Mulher - Passa lá agora, compra e deixa aqui..
Homem - Não... é melhor não! Na volta... é rápido!
Mulher - Ahhhhh!
Homem - Quando eu voltar eu como um contigo!
Mulher - Mas tu não gostas de morango!
Homem - Eu compro outro... de outro sabor.
Mulher - Assim fica mais caro... traz de ananás!
Homem - Eu também não gosto de ananás.
Mulher - Traz de chocolate... nós os dois gostamos.
Homem - Ok! Beijo... já venho....
Mulher - Ei!
Homem - O que é?
Mulher - Chocolate não... Flocos...
Homem - Não gosto de flocos!
Mulher - Então traz de morango pra mim e do que quiseres pra ti.
Homem - Foi o que eu sugeri desde o princípio!
Mulher - Estás a ser ironico?
Homem - Não, não tou! Vou indo.
Mulher - Vem cá dar-me um beijo de despedida!
Homem - Querida! Eu já venho... depois.
Mulher - Depois não... quero agora!
Homem - Tá bom! (Beijo.)
Mulher - Vais no teu carro ou no meu?
Homem - No meu.
Mulher - Vai com o meu... tem leitor de cd... o teu não!
Homem - Não vou ouvir música... vou espairecer...
Mulher - Tás a precisar?
Homem - Não sei... vou ver quando sair!
Mulher - Não demores!
Homem - É rápido... (Abre a porta de casa.)
Mulher - Ei!
Homem - Que foi agora?
Mulher - Bolas!!! Que bruto! Vai, vai-te embora!
Homem - Calma... estou a tentar sair e não consigo!
Mulher - Por que queres ir sozinho? Vais-te encontrar com alguém?
Homem - O que queres dizer com isso?
Mulher - Nada... não quero dizer nada!
Homem - Que é... achas que te estou a trair?
Mulher - Não... claro que não... mas sabes como é?
Homem - Como é o quê?
Mulher - Homens!
Homem - Generalizando ou falando de mim?
Mulher - Generalizando.
Homem - Então não é meu caso... sabes que eu não faria isso!
Mulher - Tá bem... então vai.
Homem - Vou.
Mulher - Ei!
Homem - Que foi, porra?
Mulher - Leva o telémovel, estúpido!
Homem - Pra quê? Pra me estares sempre a ligar?
Mulher - Não... caso aconteça algo, tens o telémovel.
Homem - Não... deixa estar...
Mulher - Olha... desculpa pela desconfiança, estou com saudades, só isso!
Homem - Ok, meu amor... Desculpa-me se fui bruto. Amo-te muito!
Mulher - Eu também! Posso cuscar no teu telémovel?
Homem - Pra quê?
Mulher - Sei lá! Jogar um joguinho!
Homem - Queres o meu telémovel pra jogar?
Mulher - É.
Homem - Tens a certeza?
Mulher - Sim.
Homem - Liga o computador... tá cheio de joguinhos!
Mulher - Não sei mexer naquela lata velha!
Homem - Lata velha? Comprei-o o mês passado!
Mulher - Tá..ok... então leva o telémovel senão eu vou cuscar...
Homem - Podes mexer à vontade... não tem lá nada, mesmo...
Mulher - É?
Homem - É.
Mulher - Então onde está?
Homem - O quê?
Mulher - O que deveria estar no telémovel mas não está...
Homem - Como!?
Mulher - Nada! Esquece!
Homem - Tas nervosa?
Mulher - Não... não tou...
Homem - Então eu vou!
Mulher - Ei!
Homem - O que ééééééé, caralho?
Mulher - Já não quero o gelado!
Homem - Ah é?
Mulher - É!
Homem - Então eu também já não vou sair!
Mulher - Ah é?
Homem - É.
Mulher - Boa! Vais ficar aqui comigo?
Homem - Não ...tou cansado... vou dormir!
Mulher - Preferes dormir a ficar comigo?
Homem - Não... vou dormir, só isso!
Mulher - Estás nervoso?
Homem - Claro, porra!!!
Mulher - Porque é que não vais dar uma volta para espairecer?!?!...

segunda-feira, dezembro 15, 2008

Os Contemporâneos - Salvem os Ricos, Ajudem os Milionários



Ao passear pelo blog "O Afilhado", dei com este vídeo dos Contemporâneos e não resisti a partilhá-lo com vocês. Das coisas mais divertidas que tenho visto ultimamante! Um excelente gag musical, parodiando o LIVE AID, com alguns músicos portugueses e actores, portugueses também, imitando músicos estrangeiros. As imitações de Bob Dylan, George Michael, Axl Rose e até Adriana Calcanhoto, são de chorar a rir! Ó amigos brasileiros, desculpem lá, mas não consegui arranjar a letra da "canção", espero que consigam perceber tudo! Uma excelente forma de desdramatizar e gozar com esta merda toda! Eu adoro os Contemporâneos. Vai mas é trabalhar!!!

Brazil - Terry Gilliam (1985)

domingo, dezembro 14, 2008

Olga e o Oligarca

Através de Bettina Rheims, um oligarca russo apresenta a sua bela mulher ao mundo.

Olga Rodionova é uma beldade bem conhecida nos circuitos da moda e do jet-set de Moscovo. Quando o seu adorado e apaixonado marido, um poderoso oligarca russo, pretendeu eternizar a beleza da sua mulher em fotografia, ele pensou, nada mais nada menos, em Bettina Rheims, uma fotógrafa bastante conceituada que na altura considerou o pedido algo estranho, em virtude do seu estatuto profissional.
Porém, ao conhecer Olga, Rheims sentiu-se imediatamente envolvida pela sua aura tão especial e única que se empenhou em realizar um trabalho ao mesmo tempo estético e ousado mas que servisse o seu propósito, ou seja, mostrar ao mundo toda a sua sensualidade e beleza sem cair nas raias da pornografia. (Imagino que se tenha envolvido também com o cheque que o russo lhe passou...)

A primeira sessão de fotografias teve lugar na casa de campo da própria Bettina Rheims e o marido de Olga ficou tão contente com o resultado que sugeriu que se produzisse um livro em que Olga figurasse como estrela.
Seguiu-se uma segunda sessão de fotos a preto e branco num ambiente sado-masoquista, em que homens e mulheres desempenham subtis jogos sexuais com Olga.

Uma terceira sessão, inspirada num décor Marie-Antoinette, teve lugar inteiramente no estúdio de Bettina Rheims. Ela conseguiu, de várias maneiras, descrever este tema tão específico com a mesma frescura, erotismo e ousadia das fotos anteriores. The Book of Olga representa um dos frutos mais saborosos do seu sucesso. Contendo mais de cem imagens, bem como um prefácio da escritora francesa Catherine Millet, este livro único é, não só uma canção de amor dum homem à sua mulher, bem como uma obra de arte fotográfica.

A fotógrafa:
Bettina Rheims, francesa, dedicou-se inteiramente à fotografia no início de 1978. Nestas últimas três décadas, a sua produção fotográfica, tanto em publicações como em exposições, tem sido de tal forma intensa e importante que, em 2007, foi agraciada com a Légion d'Honneur por todo o seu trabalho artístico.
A autora do prefácio:
Catherine Millet, francesa, é a directora e co-fundadora da Art Press. É também curadora, autora de alguns livros, entre eles "La vie sexuelle de Catherine M."(2001).

Este livro, da Taschen claro, vem numa caixa e foi editado em formato XL, medindo 29,2 cm x 43,7 cm. Capa dura forrada a tecido, 154 páginas. Edição limitada a 1000 cópias, numeradas e assinadas pela própria Bettina Rheims. Custa €350, mas escusam de ir a correr para a fnac à procura do dito porque está esgotado. Devem ter sido os amiguinhos oligarcas do maridinho da Olga que os compraram todos. Se calhar até nem queriam comprar nada, mas não há nada como ter uns Boris, uns Nicolais e uns Olegs para os convencer…

PS – Vocês pensavam o quê? Que eu não ia ter coragem de fazer um post desta natureza aqui no meu modesto bloguezinho? E estas fotos que coloquei aqui, são das mais suavezinhas…ah, pois...ora espreitem lá o site se querem ver a amiga Olga em toda a sua plenitude. Ah, pois…

Betty Boop - House Cleaning Blues (1937)



Chegou a Betty Boop. Volto já. Não fujam, que o próximo post vai ter gajas nuas. Não é este, é o próximo. Bem, neste aqui podem ver o estado em que ficou a casinha dela depois duma ganda desbunda. Não, a minha casa não está assim, porque já não faço festas em casa. Depois de manhã (ou à tarde) quando acordava era assim tal e qual e passava o resto do dia a gemer a house cleaning blues. Não, agora vou pra casa dos outros fazer as festas. É mais prático e posso sempre ir embora quando me apetecer. Bjinho, bjinho, tenho quir, tãomaliachamar ou tenho que ir levar a avó à camioneta. Agora quem me está a chamar é o aspirador. Tá ali a rir-se pra mim, o cabrão. E esfrega as pás uma na outra, a grande e a pequena. E o fio já se dirige sózinho em direcção à tomada parece uma serpente encantada. Já volto. Já vos disse que o próximo post vai ter sexo? E gajas nuas, em cenas sado-maso? Todas besuntadas com...hãããã...ah, queriam saber, não é? Pois ainda vão ter que esperar um bocado. Agora vou limpar a casa. A Bettyzinha veio ajudar-me. Espero que tenha trazido o Granpy. I got my house cleaning blues.

terça-feira, dezembro 09, 2008

My Sweet Lord - Vários


Peace & Love. Enquanto todos se voltavam, ou melhor, se revoltavam com a Guerra do Vietnam, George fazia sua viagem espiritual e mostrava através da sua música que Deus, Krishna, Buda, Alá, enfim, sempre pregaram a mesma filosofia...

"AMOR AO PRÓXIMO"

Este show foi uma homenagem a George Harrison, dois anos após a sua morte. No violão Eric Clapton, no outro o filho de Harrison (é a cara do pai), no piano Paul McCartney, na primeira bateria Ringo Star, na segunda Phil Collins, na guitarra Tom Petty, no órgão e voz Billy Preston. Enjoy!

Gertrude Bell


A lista dos seus feitos é interminável. Foi a primeira mulher que se licenciou em História Moderna em Oxford, especialista no Médio Oriente, agente política durante a Primeira Guerra Mundial, Medalha de Ouro da Sociedade Real de Geografia, condecorada com a Ordem do Império Britânico e ainda publicou sete livros altamente reconhecidos. A tudo isto, ainda podemos acrescentar: aventureira, arqueóloga reconhecida, viajante incansável que percorreu de camelo as zonas mais perigosas do deserto da Arábia, assessora de reis e xeques árabes. Não está nada mal para uma jovem vitoriana da alta burguesia que, sempre vivendo rodeada de homens, partilhou café e cigarros com, entre outros, Churchill, o rei Faisal e Lawrence da Arábia. Chegou a ser uma das mulheres mais poderosas do Império, sendo hoje em dia a Universidade de Newcastle, a detentora oficial de todo o seu arquivo que inclui, fotografias, mapas, diários de viagem, estudos arqueológicos e outros documentos de índole política. Gertrude Bell inventou o país que, hoje, conhecemos como o Iraque. Daí ela ser conhecida como a "rainha não coroada" deste país. A revolta árabe contra os otomanos, incrementada pelos ingleses durante a primeira guerra, foi pensada e delineada na prática por ela (por muito que isso custe a Lawrence da Arábia). Gertrude Bell desenhou as fronteiras do Iraque, tentando dar unidade política à antiga civilização da Mesopotâmia. Foi nomeada directora do museu arqueológico de Bagdad e acabou por morrer na sua "cidade", abandonada por todos. Um dos seus grandes paradoxos é que, apesar de tratar por "tu" todos os principais dirigentes políticos árabes e ocidentais, de ser um dos símbolos da independência feminina nos anos 20, defendia que as mulheres não deveriam ter direito a voto. Provavelmente, não deveria acreditar muito na democracia.

Gertrude Bell nasceu em County Durham, Inglaterra, em 14 de Julho de 1868 e recebeu a educação típica duma jovem da sua classe. Claro que tinha outros planos e não perdeu tempo a procurar marido, preferindo viajar e cultivar-se. Atraída pelo Oriente, elegeu a Pérsia. Tinha 23 anos quando chegou a Teerão e ali descobriu o paraíso das Mil e Uma Noites que a sua mãe lhe lia quando era menina. Aproveitou ao máximo o tempo, dedicando-se a estudar persa, cavalgou pelo deserto, ouviu poetas persas recitar, aprendeu a arte da falcoaria e subiu à Torre do Silêncio, de onde os seguidores de Zoroastro lançavam os seus mortos. No seu regresso, enamorada pelo Oriente, concentrou-se em escrever as suas experiências e em traduzir os belos poemas de Hafiz.

A partir de então, Gertrude apenas se dedicou a viajar e a escrever. Correu boa parte do globo terrestre, aperfeiçou o persa e aprendeu árabe. Quando em 1899 se mudou para Jerusalém, começava uma nova vida longe da asfixiante e aborrecida sociedade vitoriana, onde era apenas uma solteirona excêntrica de 33 anos que não tinha sido capaz de arranjar marido. Desde Jerusalém planeou as suas primeiras explorações do deserto. Viajava a cavalo com um cozinheiro e dois muleteiros pelos caminhos poeirentos rumo a Jericó ou ao Vale do Jordão. Fotografava e tirava medidas a todas as ruínas e palácios persas inacabados que encontrava pelo caminho. Até que chegou a Petra, a antiga capital dos nabateus esculpida em pedra rosa e acampou de noite debaixo das suas colunas coríntias. Escreveu então: “ Quando alguém entra tão a fundo no Oriente, não pode viver longe dele”. No inverno de 1909 prepara a sua última grande viagem, uma nova expedição, desta vez desde a Síria à Mesoptâmia para estudar seriamente as igrejas romanas e bizantinas e fazer moldes de pedra para os seus estudos arqueológicos. Viaja sózinha desde Alepo e pretende chegar ao Iraque através do deserto sírio, percorrer mais tarde uns 650 quilómetros até ao sudeste seguindo o leito do rio Eufrates até Bagdad, ali refazer o seu grupo e empreender a marcha para norte, até à Turquia, ao largo do rio Tigre. Como qualquer explorador, Gertrude prepara conscienciosamente a sua viagem e pesada bagagem: sete animais de carga, uma dezena de cavalos e três muleteiros, dois criados e dois soldados.
Nos seus volumosos baús, junto às tendas de campanha, camas e cadeiras desmontáveis, pistolas e um rifle, viajam tapetes, toalhas de linho, um serviço de chá de porcelana, cristais e talheres de prata, banheira e elegantes vestidos franceses, corpetes, sombrinhas de penas e produtos de toucador. Nunca deixou de ser uma elegante dama britânica que se vestia para trabalhar no deserto de sol a sol com combinações e largas saias com bolsos, meias negras e sapatos de atacadores, para além de um amplo chapéu. Nos alforges carrega livros, mapas, rolos fotográficos, câmaras e prismas. Escreve então: “Voltei a entrar no deserto, como se voltasse ao meu sítio; o silêncio e a solidão envolvem-me como um véu impenetrável; não há mais realidade que as longas horas de cavalgada, pela manhã tiritando e pela tarde dormitando…”
Placa na parede do edifício “Red Barns”, em Coatham, Cleveland, Inglaterra.

Gertrude era já uma respeitada arqueóloga e estudiosa do Oriente quando decidiu atravessar o deserto da Arábia em 1913. Estava pronta para empreender um dos seus maiores desafios, apesar daquela região isolada estar cheia de perigos. Partiu de Damasco como uma autêntica rainha, com uma caravana de vinte camelos, três cameleiros, o seu cozinheiro, o seu velho guia e uma escolta. "Sinto-me como um xeque árabe", comentou irónica com os seus amigos, ao ver-se à frente da sua expedição, sentada no alto de um camelo, com as suas mãos enluvadas e um chicote para conduzir o animal. Sabia que no vasto deserto do Nejd teria de enfrentar temperaturas extremas, sede, falta de víveres, pragas de pulgas, cobras, escorpiões, sem falar nos salteadores, soldados e tribos hostis.

Nos seus últimos anos de vida, instalou-se em Bagdad onde, num dia quente de Julho de 1926, esta mulher forte e poderosa e que sempre tinha ocultado as suas frequentes depressões, acabaria por se suicidar. Durante muito tempo, os beduínos continuaram a recordar esta dama que falava o seu idioma, os recebia elegantemente vestida na sua tenda coberta de tapetes e lhes oferecia uma chávena de chá, isso sim, numa bandeja de prata. Gertrude Bell está sepultada no Cemitério Britânico em Bagdad, Iraque.

domingo, dezembro 07, 2008

sexta-feira, dezembro 05, 2008

Humanos - Maria Albertina (ao vivo no Coliseu)

Não temas, ó Musa!


"Não temas, ó Musa! Modos e dias verdadeiramente novos te recebem e rodeiam,
Francamente reconheço uma raça muito singular, de um novo estilo,
E, contudo, é a mesma velha raça humana, a mesma por dentro e por fora,
Os mesmos rostos e corações, os mesmos sentimentos, os mesmos desejos,
O mesmo velho amor, a mesma beleza e os mesmos costumes".
- Walt Whitman

quinta-feira, dezembro 04, 2008

Jonathan Rhys Meyers

Agarrem-me que eu mato-o!

quarta-feira, dezembro 03, 2008

Freddie Hubbard & Art Blackey - Moanin'

JAZZLIFE - The sights and sounds of American Jazz


Em 1960, o fotógrafo William Claxton e o conhecido musicólogo alemão Joachim E. Berendt, viajaram através dos Estados Unidos, sempre em direcção aos lugares mais quentes e emblemáticos da música jazz. O resultado desta colaboração, traduziu-se numa espantosa colecção de fotografias e relatos das mais incríveis histórias tanto sobre famosos e lendários músicos como de outros, simples músicos de rua.


O livro JAZZLIFE, o original fruto deste trabalho, tornou-se uma peça de colecção altamente prestigiada entre os fãs de fotografia e música Jazz. Em 2003, a Taschen começou a reunir este tão importante material, bem como muitas outras imagens nunca antes publicadas, documentando magistralmente todas estas viagens e o amor que Claxton e Berendt sentiam pela música Jazz.

Usando todos os benefícios que a tecnologia digital de hoje em dia nos traz, foi restaurado e gravado um CD de músicas que Joachim Berendt tinha produzido nas suas gravações originais e incluído nesta edição. Os fãs de Jazz deliciar-se-ão com uma viagem através dos tempos, tal como Claxton e Berendt viram, ouviram e experimentaram durante o seu périplo.

Esta fabulosa edição inclui fotografias de Charlie Parker, Count Basie, Duke Ellington, Muddy Waters, Gabor Szabo, Dave Brubeck, Stan Getz, Billie Holiday, Ella Fitzgerald, Miles Davis, Charlie Mingus, Thelonious Monk, John Coltrane e muitos mais. Inclui ainda um CD bónus, remasterizado digitalmente a partir de gravações feitas durante esta viagem. O original foi lançado em 1960, em dois LP’s.

O Fotógrafo: William Claxton (1927-2008) entrou para o mundo da fotografia por conta de seu amor à música, por mais estranha que soe a afirmação. Era jovem e colecionava recortes dos seus ídolos de jazz quando resolveu que gostaria de fazer parte daquele universo. Na época, a fotografia era um hobby e o equipamento de que dispunha, uma máquina Speed Graphic 4×5, já era, então, obsoleta. Mas foi com esta câmera que Claxton passou a frequentar os clubes de jazz em Pasadena, California e se foi aproximando de músicos e aprendendo na prática o ofício de fotojornalista. Aprendeu bem e depressa. Para Claxton, a intenção era capturar todos aqueles momentos em que os artistas deixavam de ser artistas e se tornavam, longe do mito, figuras humanas de carne e osso.

A imagem de John Coltrane subindo o palco do festival de Jazz de Newport, em 1960, de olhar apreensivo e concentrado, cenho franzido e a mão crispada presa ao saxofone, com as veias visíveis, é uma das suas fotos mais conhecidas. William Claxton morreu no passado dia 11 de Outubro, na sua casa de Los Angeles.


O Autor: Joachim E. Berendt (1922-2000) foi um dos membros fundadores da South West German Radio (Südwestfunk) e produziu mais de 250 discos. Em 1953, publicou pela primeira vez o livro “Das Jazzbüch”, que depressa se tornou, pelo mundo inteiro, no livro mais importante sobre o tema, alguma vez publicado. A sua colecção de discos, livros e toda a espécie de documentos alusivos ao Jazz, são a base do Instituto do Jazz (Jazzinstitut) em Darmstadt, na Alemanha. Berendt morreu de acidente em 2000.

Este “livrinho”, agora relançado e actualizado pela Taschen, vem numa caixinha, tem capa dura, mede 24,5 x 34,2 cm, tem 552 páginas e custa apenas (pasme-se!) €49,99. Podem, se fazem favor, incluí-lo no cestinho de presentes que, estou certa, me irão oferecer nesta quadra de fraternidade e amor que agora se avizinha. Oh, Pai Natal, que fiz eu para merecer tanto?! (faces ruborizadas de pudor prazenteiro) Obrigadinha, obrigadinha…
Estes simpáticos rapazes aqui na foto de cima, estão cantar "Merry Christmas" para vocês, numa versão muito bluesy, muito jazzy. Não parece, mas estão. Sintam como vos apetecer melhor.

1000 Visitantes - Oooooooooop lá!


Ena, atingi hoje (esta coisa de dizer "eu atingi" pode dar muito assunto de conversa nessas vossas mentes retorcidas, mas enfim...) dizia eu então que, hoje o meu modesto bloguezinho atingiu os 1000 visitantes...para quem começou a 29 de Setembro último, eu diria que não está mal de todo, pois não? Sintam-se livres, ilustres visitantes, de fazer as vénias que melhor vos aprouver e considerem necessárias e voltem sempre pra beber um cházinho ou outra coisa qualquer. Também há pão com manteiga e café. E rosas vermelhas.